Da praia aos currais: 2,3 mil moradores de Florianópolis escolhem levar vida 'de interior' em áreas rurais da Capital
28/03/2026
(Foto: Reprodução) 2 mil pessoas levam vida de "interior" na capital catarinense
Cercada pelo mar, Florianópolis tem como uma de suas maiores virtudes o turismo de verão. Em meio à badalação das praias, no entanto, comunidades rurais ainda resistem na capital de Santa Catarina: cerca de 2,38 mil moradores vivem uma vida "de interior", segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O produtor rural Devalde Francelino de Souza é uma dessas pessoas: no sítio dele, no Sertão do Ribeirão, a 26 km do Centro, se planta verduras e frutas. Já do curral vem o leite, que vira queijo e nata e, do galinheiro, os ovos.
"Todo mundo acha que o manezinho é só da beira da praia, mas não é. Tem o interior da ilha, os cantos que não têm mar", diz.
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A produção dele é pequena, mas abastece comércios de outras partes da cidade e amplia o senso de comunidade: o que um produz, muitas vezes, outro ajuda a vender. Assim a economia continua girando entre os vizinhos.
A cachaça artesanal do produtor Bento José dos Santos, por exemplo, também encontra espaço no sítio de Devalde. Quando o trabalho na propriedade dele diminui, ele ajuda o vizinho "em tudo um pouco".
"Roçar, capinar, abrir vala... cuidar do gado. Tudo um pouco", comenta.
🐮 Para chegar ao Sertão do Ribeirão, é preciso subir a estrada Francisco Thomas dos Santos, na localidade da Costeira do Ribeirão, ou pelo Pântano do Sul. A subida é de terra e pedras na parte mais alta. Na região tem lagoa para pesca, trilhas, espaço para piqueniques e até cachoeiras.
Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), as comunidades rurais se concentram especialmente em quatro localidades:
Sertão do Ribeirão
Ratones
Rio Vermelho
Ribeirão da Ilha
Almerinda é produtora rural em Florianópolis (SC)
NSC TV/ Reprodução
🌿👩🌾Agricultura faz parte da história da cidade
A agricultura faz parte da história de Florianópolis desde o início da colonização. No século 18, milhares de açorianos chegaram à região e se espalharam pelo interior, abrindo roças e formando pequenas comunidades.
O aipim virou a base da produção local e deu origem aos engenhos de farinha, que durante muito tempo foram uma das principais atividades econômicas da ilha.
Dessa tradição, a produtora rural Almerinda Catarina Scotti de Souza não abre mão. Entre panelas de barro, louças antigas e fogão a lenha, ela encontra sentido para a rotina.
"Eu acho que não tem coisa melhor do que tu colher o teu alimento, saber o que está comendo. Na época da fruta, vai lá e apanha a fruta direto do pé e come. É o leite, é o queijo, é a nata, é a manteiga. É uma coisa que tu sabes que foi tu que produziu, foi tu que fez", comenta.
"Para mim, não tem riqueza maior do que isso: ver um bichinho... Adoro os bichinhos. Ver um galo cantando", continua.
Produtor rural Devalde Francelino de Souza vive no Sertão do Ribeirão, em Florianópolis
NSC TV/ Reprodução
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